.30 de novembro - Revista Dome - Cad Brasil
     
 

Diálogos Pertinentes

A escolha do espaço para receber sua primeira edição não poderia ser mais inspiradora: a Casa da Rosas, em plena Avenida Paulista, um dos melhores ícones paulistanos. Antes a luxuosa residência da família Ramos de Azevedo, hoje, a Casa abriga o Centro Cultural Haroldo de Campos, residência de atividades diversas relacionadas à literatura em São Paulo, entre elas saraus, cursos e workshops de viés literário.
Haroldo de Campos, poeta, tradutor e ensaísta, foi o maior representante do movimento concretista no Brasil e deixou como herança para o patrimônio cultural do estado sua coleção de mais de 35 mil volumes. Seu legado é a fonte principal de inspiração para a integração da literatura com a Cad.

A Mostra Cad – Casa Arte & Design chegou a São Paulo cumprindo promessas. Se em outras edições ao redor do globo ela já primava pela qualidade e pela forte intenção de valorizar espaços urbanos de inestimável valor histórico, em São Paulo a promessa não foi esquecida. Só para lembrar, estão no roteiro da mostra cidades como Madrid, Barcelona, Valência, Lisboa, Porto, Algarve, Milão e Miami.

Por: Ana Paola Zeminian


1. Sala Íntima, William Maluf
2. Cozinha, Flavia Ralson
3. Detalhe da iluminação da cozinha projetada por Flavia Ralson
4. Living, Rosa May Sampaio
5. Detalhe do lustre da sala de jantar de Camilla Matarazzo
6. Gabinete, Leonardo Junqueira


A Casa das Rosas, patrimônio cultural e histórico, retomou seu esplendor através das mãos sensíveis e eficientes de arquitetos, decoradores e paisagistas que cumpriram com primor o desafio de expor seus trabalhos sem macular o projeto original. Valorizando o glamour do trabalho de Ramos de Azevedo e usando o espaço como veículo de expressões poéticas de Carlos Drummond de Andrade, Paulo Lemiski, Frederico Garcia Lorca, entre outros. Autores tiveram suas palavras impressas em paredes, almofadas e cortinas e cantos a serem descobertos.
A arquitetura, a decoração e a tecnologia deram um grande passo para sobrepujar possíveis diferenças e estabelecer um real diálogo em que todos os valores de cada um dos aspectos envolvidos na Mostra se integrassem com perfeição.
Para facilitar o diálogo da poesia com o público, cada cômodo elegeu um autor para ser homenageado. Assim, surge Drummond na sala da família; Manoel Bandeira adequado ao quarto da moça; Garcia Lorca ganha espaço na cozinha. Nem mesmo os representantes da rebeldia da geração de escritores americanos da década de 50, os Beatniks, ficaram de fora, ganhando espaço na varanda, entre o conforto da casa e o visual inspirador do jardim.
Outro destaque na Mostra é a iluminação. Sabidamente a luz dá vida ao ambiente e na Cad percebe-se que a tendência de lustres e luminárias maiores valorizou as proporções das salas e os detalhes do desenho dos tetos, além do uso inteligente da iluminação indireta para remeter ao aconchego de um lar em plena mostra.
O luxo clássico das produções dos 39 cômodos ocupados pela Cad retoma o ideal que o projeto arquitetônico original propõe e vai além, ao conseguir trazer para cada espaço um toque contemporâneo – seja através da tecnologia sempre presente ou das peças de mobiliário que trazem em seu design um dose do tempo atual. O eterno, aqui, combina com o moderno.

Até 7 de outubro. Av. Paulista, 37, tel. (11) 3285-6986 e 3288-9447. De terça a domingo, das 10h às 18h.


Veículo: Dome
Seção: Mostra
Pág. : 32 e 34
Seção: 4

     
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